@MASTERSTHESIS{ 2026:1832822989, title = {Entre o viver e o morrer: as concepções sobre os determinantes sociais da saúde na política nacional do câncer e de cuidados paliativos}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7147", abstract = "A dissertação analisa a incorporação dos Determinantes Sociais da Saúde (DSS) nas Políticas Nacionais de Atenção Oncológica e de Cuidados Paliativos no Brasil, a partir do referencial teórico do materialismo histórico e dialético. Partindo da perspectiva da determinação social da saúde, o estudo compreende o processo saúde-doença como fenômeno histórico e contraditório, inscrito nas relações de produção e reprodução social do capitalismo, e não como evento natural ou resultado de escolhas individuais. A pesquisa é de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica nas áreas de Serviço Social, Saúde Coletiva e Epidemiologia Latino-Americana, e de análise documental de marcos normativos e dados de fontes oficiais. Tem-se em primeiro ponto, a distinção entre determinação social da saúde e determinantes sociais da saúde. Enquanto a primeira compreende a saúde como expressão das relações sociais de produção e das contradições estruturais do capitalismo, os DSS tendem a privilegiar fatores como renda, escolaridade e território, fragmentando a análise da realidade social. O Estado, nas mediações das condições de vida e saúde da população, reconhece normativamente o direito à saúde, ao mesmo tempo em que implementa medidas de focalização e privatização que aprofundam as desigualdades sociais em saúde. Nesse contexto, a contrarreforma do Estado materializou-se na privatização da gestão de políticas públicas, sob a introdução da lógica de mercado no interior do sistema público de saúde. Esse modelo contraria os preceitos da Reforma Sanitária, como a universalização do acesso, a concepção ampliada de saúde, o financiamento efetivo do Estado, reorientando o SUS para os interesses do mercado. Os modelos explicativos de DSS, deslocam a análise das estruturas para fatores e variáveis, sem apreender as determinações históricas que produzem as desigualdades em saúde. Nessa direção, problematiza-se também o uso das categorias de iniquidades e vulnerabilidades, que privilegiam a identificação de grupos mais expostos a agravos e barreiras de acesso, sem alcançar as determinações históricas e estruturais que produzem tais condições. No que tange ao adoecimento por câncer, as disparidades aparecem no acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento e ao cuidados de fim de vida, que são influenciados por classe, raça e território. A incorporação dos DSS nas Políticas Nacionais de Atenção Oncológica e de Cuidados Paliativos, situadas no contexto de contrarreformas do Estado, demonstram a distribuição desigual expressa nas relações estruturais que atravessam a sociedade brasileira. No Maranhão, as desigualdades sociais em saúde expressam as particularidades do capitalismo dependente brasileiro, articulando pobreza, racismo estrutural, precariedade das condições de vida e concentração regional dos serviços de saúde. Aponta-se que existe apenas cinco serviços especializados em Oncologia e dois de cuidados paliativos no Sistema Único de Saúde do Maranhão, em sua maioria localizados na capital São Luís/MA. Conclui-se que as desigualdades no processo saúde-doença e nas condições de fim de vida não são expressões residuais das políticas de saúde, mas resultados estruturais de um modelo de sociabilidade que, sob a hegemonia neoliberal, subordina os direitos sociais à acumulação do capital.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS/CCSO}, note = {DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL/CCSO} }