@MASTERSTHESIS{ 2025:1539502513, title = {FENOMENOLOGIA DA PERDA E DO CUIDADO DE ENFERMAGEM: O SER FAMILIAR DIANTE DO ADOECIMENTO E MORTE POR COVID-19}, year = {2025}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/6724", abstract = "No contexto da pandemia da covid-19, o cuidado de enfermagem desempenhou um papel significativo, exigindo uma compreensão ainda mais aprofundada e ontológica que permeou a relação cotidiana entre quem cuida - enfermeiro, e de quem vivenciou profundamente - família. O adoecimento e a perda por covid-19 alteraram a dinâmica familiar com influências mútuas em um cenário repleto de incertezas, que impactou diretamente a experiência do luto. Desse modo, compreende-se que o sofrimento diante da perda e o cuidado de enfermagem recebido ressignificaram o modo de viver. Objetivou-se compreender o significado da perda de um ente e do cuidado de enfermagem para o ser-familiar diante do adoecimento e morte por covid-19 no contexto hospitalar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fenomenológica, tendo como referencial teórico filosófico a obra “Ser e Tempo” de Martin Heidegger e como referencial metodológico a análise hermenêutica que se dedica a apresentar o sentido da existencialidade do “Ser”. Identificou-se os prontuários físicos de pacientes que morreram por covid-19 em um hospital público localizado na região Centro-Norte da cidade de São Luís, Maranhão. Participaram da pesquisa dez (10) membros da família nuclear e da família expandida de pacientes que acompanharam o adoecimento e morte de seu ente por covid-19, residentes em São Luís, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e, que consentiram com assinatura de um termo. A pesquisa foi realizada no domicílio do familiar, nos meses de agosto a dezembro de 2024, na cidade de São Luís, Maranhão. A compreensão e interpretação dos dados foi embasada no círculo hermenêutico de Martin Heidegger. Foram identificadas três (3) unidades de significado e significação: “O ser-familiar diante do adoecimento de um ente”; “O ser-familiar diante da morte de um ente”; “O ser-enfermagem para o familiar”. O ser-familiar, diante do adoecimento de seu ente compartilha uma rede de afeto, cuidados e responsabilidades, ficando imerso na perplexidade da vulnerabilidade da vida. Essa experiência provoca uma reconfiguração do seu cotidiano, vivenciando o distanciamento imposto pelas medidas sanitárias, desestabilizando as certezas préexistentes e exigindo uma adaptação ao novo que passa a ser tensionada pela incerteza, tristeza e medo, instâncias que aproximam o ser-familiar da angústia existencial. O ser-familiar diante da morte de seu ente é permeado pela expectativa da recuperação e não reconhece a possibilidade da finitude da vida, a qual provoca desamparo e angústia, culminando em tristeza e culpa. Essa ruptura irreversível com seu ente diante da impotência e inevitabilidade, evidenciam o impacto emocional da perda, solidão e o processo de luto e ocasionam uma reorganização do sistema familiar em busca de um novo equilíbrio. O cuidado de enfermagem, para além da dimensão técnica, se configurou como uma presença sensível, empática e solidária, contribuindo para essa ressignificação, especialmente em um contexto de isolamento e ausência de despedidas. A atuação da enfermagem foi reconhecida como expressão de um cuidado ontológico, que acolhe a vulnerabilidade e a finitude humana, manifestando-se por meio da escuta atenta e da ética do cuidado. Conclui-se que a perda do ente enfrentada pelos familiares foi marcada por profunda angústia, tristeza, culpa, impotência e solidão. A pandemia impôs desafios inéditos à dimensão existencial do cuidado de enfermagem aos familiares, evidenciando a necessidade de uma compreensão profunda da singularidade das experiências, valorizando os encontros com a finitude da vida, as vulnerabilidades e as necessidades mais profundas do ser, contribuindo para uma relação de estar-com mais empática, digna e com compaixão. O ensaio ótico-fenomenológicoreflexivo desta pesquisa contribui para o processo dialógico engenhoso também com outros filósofos na descortinação e revelação para compreender o verdadeiro “eu”, subsidiando práticas mais sensíveis, éticas e autênticas, contribuindo para a ressignificação da consciência, existência, sofrimento, luto e morte.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM/CCBS}, note = {DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM/CCBS} }